

"Bicicleta gera gentileza"

O caminho traçado pela magrela entre os carros
Desde 1817 a bicicleta tem conquistado seu espaço na vida das pessoas e no trânsito
por Dayana Shakra

Foto: Giovanna Camargo/ Ciclovida
Poucos conhecem a história de criação da “Magrela”. O primeiro a criar um modelo de bicicleta em 1490, foi Leonardo da Vinci, entretanto nunca chegou a ser construída, de fato. Assim, o passo inicial para criação da bicicleta foi em 1790, quando, o conde Monsieur de Sivrac, da França, criou o celerífero, depois chamado de celífero. A invenção, nada mais era que um veículo muito primitivo de duas rodas ligadas por uma ponte de madeira em formato de cavalo e acionado por impulso alternado dos pés sobre o chão.
A pioneira da bicicleta, de fato, surgiu em 1817. O barão alemão Karl von Drais, se baseou no modelo anterior e o adaptou usando um sistema de direção, que permitiria ao condutor um maior equilíbrio, principalmente na realização de curvas. O barão batizou a invenção de “máquina corredora” (laufmaschine em alemão), já a imprensa a chamou de Draisine ou velocípede. [a2] O objetivo de Von Drais era oferecer um meio de transporte mais barato e fácil de manter que os cavalos. A bicicleta foi, então, patenteada em 1818, em Paris.
A busca pela criação de um sistema de impulso, que não cansasse tanto o condutor, foi iniciada e no ano de 1839. O ferreiro escocês Kirkpatrick Macmillan elaborou um tipo de pedal que foi inserido à roda traseira e com eles a bicicleta se tornou mais estável. No modelo de Macmillan, a bicicleta tinha uma roda dianteira maior do que a traseira. Apesar da invenção da bicicleta de pedais ser atribuída a Kirkpatrick Macmillan, o seu modelo só começou a ser fabricado 30 anos depois, pelo inglês Thomas McCall.


Em 1863, Pierre Lallement tinha apenas 20 anos quando concebeu em Paris a primeira bicicleta com pedais da história. O pedal que interligou as rodas da magrela, um sistema que utilizava alavancas e pedais, que garantiam maior impulso ao veículo. Ele foi o responsável, por comercializar, juntamente com seu filho Ernest Michaux, os primeiros modelos de bicicleta, e a partir dela, os modelos seguintes foram se transformando e fazendo adaptações da bicicleta. Com a Revolução Industrial, várias inovações surgiram parecidas com bicicleta, dentre elas, o biciclo em 1870, que passou a ser produzidos industrialmente. O triciclo surgiu na Itália, em 1869, e também fez parte dos inventos da época.
O robusto e a magrela
O carro foi criado em 1885, pelo engenheiro alemão Karl Benz e possuía um motor a gasolina, além de ter três rodas. Apesar da diferença de mais de 70 anos, entre a invenção do primeiro modelo da bicicleta e do carro, o meio de transporte popular e que tem prioridade no tráfego diário pelas ruas, avenidas e rodovias, é o carro. A bicicleta ainda é um dos meios de transportes mais utilizados no Brasil. Mas, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, o Brasil tem mais bicicletas do que carros. São, aproximadamente, 50 milhões de bikes e 41 milhões de carros. Porém, mesmo com esse quantitativo, apenas 7% dos brasileiros utilizam a bicicleta como meio de transporte principal, dando preferência ao uso do carro no dia a dia.
Mesmo com a escolha dos brasileiros, a bicicleta tem mais vantagens do que o carro, para o meio ambiente, ciclista e até para o trânsito. Por exemplo, a “magrela” não precisa de: combustível, vaga de estacionamento, gasto com flanelinha, impostos como IPVA, troca de óleo e balanceamento, retoque na pintura, e ainda não emite CO². Além disso, atividade física regular previne doenças cardíacas e AVCs, hipertensão, e aumenta a resistência aeróbica e ativa a musculatura de todo o corpo, diminuindo a ocorrência de doenças crônicas, fazendo bem para a saúde do idoso, adulto, jovem ou criança.



Mas, mesmo com todas as vantagens da Bike, a comodidade do carro ainda o torna um meio de transporte mais atrativo, seja pela sensação de segurança ou estrutura da cidade que propicia a escolha. Isso fica mais compreensível quando olha-se para cidade e não se encontra uma estrutura que garanta aos ciclistas segurança, mobilidade e o direito de ir e vir. No Recife, por exemplo, o deslocamento da população é feito em grande parte por um transporte público, em que a qualidade e o preço da passagem são questionados pela população, ou por meio de veículos particulares.
Isso porque, como explica Daniel Valença, Coordenador da Ameciclo, mesmo com a possibilidade de se deslocarem de bike até o local pretendido, muitas pessoas temem pela segurança, por causa de roubos e da integridade física, devido à falta de locais para trafegar apropriadamente, ciclovias e ciclofaixas. O que obriga os ciclistas a se arriscarem no trânsito competindo por espaço com os carros. Para Daniel, ainda falta o cumprimento efetivo do Plano Diretor Cicloviário, na cidade de Recife, que atualmente conta, apenas, com 57,3 quilômetros de ciclovias.
Para Paula Hirakama, fisioterapeuta e ciclista, que abandonou o carro para usar a bicicleta como meio de transporte principal, “falta uma maior educação no trânsito, tanto dos motoristas, quanto dos ciclistas”. O respeito entre os condutores e também o preparo para a convivência entre os veículos e a magrela, são necessários. Principalmente em uma cidade como Recife que tem recebido com iniciativas como Itaú bike e Yallow, que estimulam o uso da bike como meio de transporte.
Segundo o levantamento do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde entre 2007 a 2016, o estado de Pernambuco registrou uma redução significativa nas mortes de ciclistas no trânsito, passando de 60 para 54 de óbitos, significando uma redução de 10%. Ou seja, o quadro tem melhorando, mas, ainda é necessário que haja uma maior educação voltada ao respeito no trânsito e prevenção de acidente, fazendo com que o direito de ir e vim de todos na cidade seja respeitado, tonando a cidade mais humana.

Ciclovia, Ciclofaixa e Ciclorrota: quais as principais diferenças?
por Giovanna Camargo
De acordo com o Relatório da Malha Cicloviária do Município do Recife, a cidade tem pouco mais de 40 km de vias cicláveis, que variam entre ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas Mas qual a diferença entre elas?
As ciclovias possuem delimitação física, com pequenas calçadas ou gelos baianos, por exemplo, o que torna a via mais segura para os ciclistas. Também possuem semáforos próprios para os ciclistas. Um exemplo de ciclovia no Recife é a da Avenida Boa Viagem, na Zona Sul da cidade.

Arte: Giovanna Camargo/CicloVida
As ciclofaixas, com cerca de 30 km de extensão no Recife, são as vias que não tem separação física. São separadas com cones, tachões ou sinalizações no chão, com pinturas. Nos domingos e feriados , como forma de fomentar o uso da bicicleta e para ligar pontos culturais e turísticos da cidade, a prefeitura instala e cria essas ciclofaixas, separando o local da pista comum com cones e pessoas com placas de sinalização, como o “pare”.



Arte: Giovanna Camargo/CicloVida
E ainda tem as ciclorrotas, menos comentadas, mas que existem na cidade. Elas são aquelas áreas compartilhadas entre veículos e bicicletas que possui apenas uma sinalização no chão. Esse aviso é apenas para que os motoristas prestem atenção nas bicicletas. Não há nenhum tipo de divisão.

Arte: Giovanna Camargo/CicloVida


A principais semelhanças entre elas é que indicam, em maior ou menor grau, o local que as ciclistas devem andar. Já as diferenças, são mais relacionadas à estrutura e à segurança. Dentre as três, a ciclovia promove mais segurança, pelas maiores divisões e sinalizações que oferece.Já a ciclorrota, é a que deixa o ciclista mais desprotegido, porque basicamente só sugere um melhor local para a bicicleta ser usada e alerta, de forma bem discreta, os motoristas, sem mais nenhum outro apoio aos usuários das bikes.
Quer saber onde encontrar essas vias cicláveis na cidade do Recife? Acompanha a próxima matéria!


Ciclovias e ciclofaixas do Recife
por Duda Oliveira
A malha cicloviária do Recife conta com ciclovias (13,82 Km) e ciclofaixas (27,01 Km). As ciclovias estão localizadas nos bairros de Santo Amaro, Pina e Boa Viagem. Boas partes das ciclofaixas do Recife estão localizadas em bairros nobres e mais centrais, diferente dos bairros mais afastados que existe apenas na Iputinga. Nas áreas mais centrais, o bairro do Derby, por exemplo, que é um local onde muitas empresas, cursinhos, universidades estão, não existe a ciclofaixa e nem ciclovia. Já grande parte dos bairros em que o custo de vida é mais alto, existe ciclofaixa, são eles: Boa Viagem, Pina, Casa forte, Rosarinho e Parnamirim. Portanto, há em Recife a falta de uma política de mobilidade cicloviária mais ampla para garantir a segurança das milhares de pessoas que usam a bicicleta como transporte para chegar ao trabalho.
Segundo o gerente de projetos da CTTU, Antônio Henrique, o único motivo de os bairros não terem ciclovia é o espaço. “Existe a presença de muitos lotes, eu quero dizer que, toda casa tem uma entrada, então para colocar uma ciclovia teria que segregar. A ciclofaixa não, ela é uma pintura que tem os tachões e assim pode-se transpor, convergi sobre ela para acessar e assim poder estacionar o carro nesse determinado lote, então é essa a diferença para a escolha da estrutura. Se eu tiver oportunidade em um bairro mais periférico e tiver muro cego, que é um muro sem entrada de carro, claro que a intenção é de se colocar a ciclovia, se houver a possibilidade. Ou seja, a possibilidade física, a possibilidade da geometria da via que dá ou não essa opção, não tem nada haver com questão financeira”.
Confira o mapa a seguir:


Em fevereiro de 2019, a Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife, Ameciclo, entrou com uma ação civil pública para exigir da prefeitura a execução do Plano Diretor Cicloviário (PCD) elaborado há cinco anos. O documento recomenda a implantação de 591 km de estrutura cicloviária na cidade. Ao longo desses 5 anos, só foi realizado 16% do previsto no plano que tem o prazo para ser totalmente concretizado em 2024.
Hoje, os bairros em que ciclovia são 3 e os que tem ciclofaixa são 17, sendo ao todo 28 bairros sem ciclofaixa ou ciclovias. A resposta que a Ameciclo recebeu a poucos dias, pela falta de ciclovias e ciclofaixas na cidade, foi a mesma que a equipe do Ciclovida recebeu. Segundo o gerente de projetos da CTTU, Antônio Henrique, mais 12 ciclofaixas vão ser adicionadas ainda este ano. Elas passarão pelos bairros de Boa Viagem, Várzea, Caxangá, Iputinga e vão conectar mais nove bairros da cidade, o que vai aumentar o número dos que tem ciclofaixas no Recife.


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O incentivo que não incentiva
por Duda Oliveira e Dayana Shakra
O projeto Ciclofaixa móvel de turismo e lazer é uma iniciativa da Prefeitura do Recife, por meio das secretarias de Turismo e Lazer e de Mobilidade Urbana em parceria com o Banco Itaú e o Grupo Serttel. As ciclofaixas foram criadas em 2013 e tem o objetivo de incentivar o uso do espaço público pelas bicicletas, servindo inclusive de turismo.



Foto: divulgação/ Prefeitura do Recife
Elas são instaladas todos os domingos e feriados, das 7h às 16h, nas principais vias da cidade. Além disso, são três ciclofaixas com um total 36,5 quilômetros, divididos em três rotas, que saem de três pontos diferentes do Recife e terminam no Marco Zero. Uma da faixas é a da Zona Norte, que tem 7 Km de extensão. Ela começa na Av. Parnamirim, pela ciclofaixa fixa de Casa Amarela, próximo ao mercado de Casa Amarela e segue pela Avenida Rui Barbosa, rua Amélia, rua José Luiz da Silveira Barros, Avenida Agamenon Magalhães, na pista local, rua Leopoldo Lins, rua dos Palmares, Avenida Mario Melo, rua da Soledade, rua Princesa Isabel, Avenida Rio Branco, Avenida Alfredo Lisboa até chegar ao Marco Zero.
A rota da Zona Sul começa no Parque Dona Lindu, continua pela ciclovia da Avenida Boa Viagem, depois segue pela Avenida Engenheiro Antônio de Góes, Avenida Engenheiro José Estelita, av. Sul e termina no Marco Zero. Essa rota tem 6,5 quilômetros de extensão. A terceira rota da ciclofaixa móvel e última a ser instada, também começa da Zona Sul, mas de um local diferente e seguindo outro caminho para contemplar vários bairros da cidade. Ela começa na Lagoa do Araçá, na Imbiribeira, segue por afogados, Derby, Ilha do Leite, Boa Vista, Santo Antônio. Ela dá acesso para que os ciclistas de 15 bairros possam chegar até o Marco Zero por ela.
As ciclofaixas são separadas dos carros por aproximadamente quatro mil cones e a faixa é uma via de mão dupla, tem largura de 2,5 metros, medida que obedece as determinações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). De acordo com a secretaria de Turismo e Lazer do Recife, uma média de 17 mil pessoas usam a Ciclofaixa móvel de turismo e lazer.
Apesar de aparentemente sem uma boa iniciativa, as ciclofaixas podem passar uma ideia errada sobre o uso da bicicleta. “Esse incentivo aos domingos não é o suficiente, além de passar a ideia que a bicicleta é só para diversão”, explica Paula Hirakawa, ciclista. Diferente de outros países que consideram a bicicleta de fato um modal de transporte, assim como carros, ônibus e motos, na Bélgica, por exemplo, 48% da população é ciclistas, aproximadamente 5 em cada 10 habitantes.
Já em Recife, o então secretário de Turismo e Lazer, Felipe Carreras, declarou que “o nosso objetivo é criar, tanto para os cidadãos recifenses tanto para os turistas... uma opção de lazer segura, saudável e cultural”. O que mostra como iniciativas do Governo, como as ciclofaixas em feriados e fins de semana, enxergam a bicicleta apenas como um meio de diversão e lazer, não como um modal possível para mobilidade na cidade, melhorando até mesmo o trânsito.
Mas, mesmo com a desvantagem de mostrar a bicicleta apenas como diversão, as ciclofaixas contribuem para estimular o uso da bike e dar aos ciclistas, mesmo que em ocasiões restritas, acessibilidade à cidade. Além disso, a iniciativa contribui para estimular no público mais jovem o uso da Magrela, além de plantar neles a semente para no futuro se formarem novos ciclistas, que vão contribuir para o crescimento do uso da bicicleta no dia a dia.


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As laranjinhas e amarelinhas do Recife
por Duda Oliveira
O Governo de Pernambuco lançou em 2012 a Política Estadual de Mobilidade por Bicicletas, por meio da Lei no 14.762/2012. No ano seguinte, a inovadora iniciativa das bicicletas compartilhadas começou a ser instaladas no Recife. A Bike – PE foi desenvolvida pela Secretaria de Turismo e Lazer de Pernambuco em parceria com a Tembici empresa do mercado de bicicletas compartilhadas e apoio do Banco Itaú.
Atualmente, a Bike-PE conta com 69 estações no Recife e 800 bicicletas. Para ser usuário do sistema, é necessário se cadastrar, ter o Vem Estudantil ou fazer o plano semanal, mensal ou anual. O número de recifenses que estão usando a bicicleta aumentou, prova disso é que segundo os dados do Bike-PE, são, em média, 110 mil viagens realizadas por mês e 2738% foi o índice de aumento de usuários cadastrados em 2018, em comparação com 2017.

Usuária da Bike PE no Marco Zero
Foto: Giovanna Camargo/Ciclovida


O estudante universitário João Gabriel utiliza a Bike-PE há quase um ano. Ele a usa todos os dias para ir do estágio para a faculdade, um percurso de 10 a 15 minutos. Como ele é estudante, tem direito ao sistema gratuitamente, pelo VEM estudantil. Segundo ele, a Bike-PE, “é uma idéia que veio para ficar, é bem sustentável, o compartilhamento de bicicleta é uma forma de estimular o exercício físico”.


Como a Bike – PE atende muitas pessoas na cidade, ela também precisa ser de qualidade. Segundo Gabriel, usuário da Bicicleta do Itaú, a Tembici, empresa responsável pela manutenção das bicicletas, são bem atenciosos. “Algumas bicicletas realmente têm uma qualidade boa muito boa, mas tem outras que é tem alguns probleminhas assim, freio, assento, mas é só você dizer lá, apertar um botãozinho lá que eles resolvem, substituindo por outras bicicletas, concertando, eles são bem prestativos”.

Em fevereiro deste ano, outro sistema de bicicleta compartilhada chegou ao Recife. A bike Yellow, funciona de forma um pouco diferente da Bike Itaú, pois ela não tem uma estação onde pode ser deixadas ou tiradas. Os usuários podem deixá-las em qualquer ponto da cidade, cada uma das bicicletas possui sistema GPS para serem encontradas através do aplicativo da Yellow. Além disso, o sistema da Yellow também possui patinetes que é usado da mesma forma que as bicicletas.
Bike Yellow estacionada na calçada da rua
Foto: Duda Oliveira/ Ciclovida
Apesar de não ter estação, existe uma área delimitada para os usuários deixarem as bicicletas e os patinetes. A área delimitada da bike cobre parte do bairro de Boa viagem até o final da orla Brasília Teimosa e no Derby, Boa Vista, Soledade e Recife Antigo.


Numa comparação entre os preços da Bike- PE e a Bike Yellow, ver-se que para usar a laranjinha, o usuário gastaria 20 reais por mês, podendo usar a bicicleta, a cada retirada, por 1 hora durante a semana. Nas amarelinhas, a Yellow, o usuário pagaria R$ 1,50 para cada 15 minutos de uso, supondo que esse usuário pegue a bicicleta apenas uma vez por dia durante a semana, no final do mês ele vai ter gasto R$30,00.
Pagando mais caro ou não, as iniciativas da Bike-PE e da Yellow incentivam os recifenses a trocarem o carro pela bicicleta, ajudar o meio ambiente e ter uma qualidade de vida melhor.


Pedalando a favor da saúde
por Giovanna Camargo


Fotos: Giovanna Camargo/CicloVida




Em décimo quinto lugar no ranking das capitais mais saudáveis do Brasil, na pesquisa realizada pela Revista Exame, Recife parece correr atrás desse expressivo e distante local do pódio.Uma das formas mais adotadas e “na moda” para melhorar os maus hábitos de vida é a bicicleta. Acessível, barata e prática, ela tem sido a escolha de muitos recifenses. É o que diz um estudoda Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife, a Ameciclo que apurou que só no cruzamento das avenidas Beberibe e Professor José dos Anjos, na zona norte da cidade, 3.723 bicicletas passam diariamente.
Apesar das qualidades já conhecidas, a bike soma um número grande de benefícios também para a saúde, o que a torna ainda mais um potencial de uso no Recife, que tem, por exemplo, mais de 20% da sua população com hipertensão, ainda de acordo com a Revista Exame.
Segundo o médico endocrinologista Sérgio Ricardo Andrade, “é muito importante que as pessoas se mexam. A bicicleta está ganhando cada vez mais adesões, com muitos grupos noturnos, por exemplo, e ela é um exercício físico como um combo, aliado na manutenção da perda de peso, no condicionamento físico e na proteção cardiovascular”, diz.
Por ser democrática e aliada da saúde, também é buscada pela terceira idade. “Todas as faixas etárias podem praticar o uso da bicicleta, respeitando seu limite cardiovascular, ósseo articular, e suas particularidades”, alerta. E completa: “É importante também que os usuários não fiquem só no exercício aeróbico, busquem também um exercício resistivo, de carga, como a musculação, para, além de perder gordura, manter a massa magra”.
O educador físico Glauco Albuquerque explica que essa forma de esporte, lazer e transporte ainda possui outros benefícios, “ela é um exercício considerado de baixo impacto nos membros inferiores, assim, não aplica tanto estresse às articulações e previne e auxilia na recuperação de lesões ósseas”. Além disso, essa prática libera a endorfina, o hormônio do bem-estar. Porém, alguns cuidados devem ser tomados: “Antes de qualquer exercício devemos alongar e aquecer a musculatura. Na bicicleta, a temperatura do nosso corpo se eleva, aumentando o fluxo sanguíneo para os músculos, evitando lesões. Ela é, pelo seu próprio modo de prática, um exercício muito bom para aquecimento”, completa o educador.

A recifense e estudante de Design, Margareth Santos, de 45 anos, começou a usar a bicicleta para tentar melhorar sua saúde, após um diagnóstico de esteatose hepática, que é o acúmulo de gordura no fígado, além da hipertensão que a estudante já tinha. “Foi como unir o útil ao agradável. A bicicleta era mais acessível de comprar, eu estaria ajudando a minha saúde e ainda podia admirar a natureza no caminho’, diz.
Em pouco menos de um ano, a estudante já estava com seu quadro estabilizado. Começou indo para o trabalho, que era perto da sua casa, convenceu sua família para andar com ela nos finais de semana, e agora o desafio é ir com a bike para a faculdade, que fica a 18km de sua casa. Mas ela não para por aí: “Quero acabar de vez com todos os remédios controlados que tomo. Já foram 2, agora só falta um. Já passei da metade”, celebra.
De acordo com a pesquisa Perfil do Ciclista 2018 da Organização Transporte Ativo, em Recife, quase 19% das pessoas começam a utilizar a bicicleta como transporte urbano por questões de saúde, e 18% tem como motivação para continuar a usa-la, a manutenção da saúde.
Logo, a preocupação por uma vida mais saudável é um grande indicador do uso da bicicleta. No Brasil, essa motivação sobe para quase 30%. Com todos esses benefícios, espera-se que, assim, menos doenças ocorram e que se usem menos os hospitais. O uso dela não decresce somente os problemas de saúde, reduz outras tantas coisas que faz com que o dinheiro, o tempo e a alegria da população diminuam.
O uso da magrela faz com que o usuário não tenha que gastar dinheiro com seguros automotivos nem com os impostos dos veículos, como o IPVA, o DPVAT e os licenciamentos, além de não precisar comprar combustível. O ciclismo também reduz o barulho na rua, o estresse do trânsito e contribui com o meio ambiente.


Apesar de acrescentar um tempo bem vivido aos usuários, essas reduções incomodam o Governo, que perde dinheiro que vêm, principalmente, desses demasiados impostos. Hoje, Pernambuco tem cerca de 2.5 milhões de veículos, que multiplicados pelo valor do IPVA, que foi de 72 reais a R$ 153 mil em 2018, já gera uma receita e um lucro enorme para o Estado.
Seja pela saúde, pela praticidade ou pela acessibilidade, a bicicleta já tem seus benefícios claros e bem definidos.Através das propostas de pessoas, coletivos, associações e ONGs, e pela prática do uso, a bike impacta a sociedade por acarretar melhorias em vários âmbitos da vida, incomodando as autoridades pela liberdade e baixo custo que ela proporciona. Mais questões estão sendo discutidas sobre ela, seu espaço físico está, mesmo que de forma discreta, se instalando pelas ruas e os grupos de ciclismo estão se fixando na cidade, para manter essa prática viva, e bem vivida. Longa vida à bicicleta e assim, aos seus usuários.

Arte: Giovanna Camargo/CicloVida


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